quinta-feira, julho 28, 2011

Interdisciplinaridade no Ensino da Saúde

Prezados alunos: espero vcs no sábado, tarde, para iniciarmos a discussão da interdisciplinaridade. Bem- vindo a todos/as. Tânia Falcão

58 comentários:

francijane disse...

Teremos algum texto para lermos antes da aula?

Edjaneide disse...

Olá Tânia, tb alguma orientação para a aula?

Tânia L Falcao disse...

Vamos construir juntos/as o módulo. Espero contribuições de artigos, textos, poesias, músicas, filmes, etc, qq elemento que represente o ser humano que vamos ver ao longo do módulo.

gioconda disse...

olá tânia estamos juntos para colaborar com essa produção e tenho certeza que será um sucesso.

francijane disse...

Tânia ainda no aguardo dos endereços dos artigos

francijane disse...

Tânia ainda no aguardo dos endereços dos artigos

francijane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carminha Raposo disse...

As transformações que vêm ocorrendo na sociedade ocorrem também, de maneira significativa, no campo da saúde (por ser esta parte daquela), tanto no seu objeto — o processo saúde-doença-cuidado — como no instrumental teórico-prático em que se apóiam as práticas e na organização da produção em saúde. O setor saúde tem que responder a uma pluralidade de necessidades, ou seja, às demandas por intervenções tecnológicas de alta complexidade e especialidade que se dão nos hospitais de atendimento terciário e também têm que atuar nos espaços aonde as pessoas vivem o seu cotidiano, de modo a proporcionar uma vida saudável. Só a intervenção e recuperação do corpo biológico não têm respondido de forma plena às necessidades de saúde, pois estas vão além e demandam por uma atenção que leve em conta a integralidade do ser humano, a qualidade de vida e a promoção da saúde. Assim, um novo modelo assistencial vem se delineando tendo por foco de atenção a família, considerando o meio ambiente, o estilo de vida e a promoção da saúde como seus fundamentos básicos. Os impasses epistemológicos e metodológicos das ciências da saúde, diante de um objeto tão complexo— o processo saúde-doença-cuidado — ou de vários objetos que se interligam nesta complexidade, têm suscitado debates sobre novos paradigmas e novos conhecimentos em busca de sistematização. A disciplinaridade e seus correlatos, multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade, metadisciplinaridade e transdisciplinaridade, estão em evidência, atualmente, em relatos orais, ensaios como tema de aulas, quase sempre com significados distintos e de difícil compreensão (ALMEIDA FILHO, 1997) (ROCHA & ALMEIDA 2000). Interdisciplinaridade também é uma questão de atitude. “É uma relação de reciprocidade, de mutualidade, que pressupõe uma atitude diferente a ser assumida diante do problema do conhecimento, ou seja, é a substituição de uma concepção fragmentária para unitária do ser humano”. Está também associada ao desenvolvimento de certos traços da personalidade, tais como: flexibilidade,confiança, paciência, intuição, capacidade de adaptação, sensibilidade em relação às demais pessoas, aceitação de riscos, aprender a agir na diversidade, aceitar novos papéis(Vilela & . Mendes2003).

Rosaly Lins disse...

Queridos colegas ,
Após ler o artigo sugerido por professora Tânia Falcão intitulado:
Transdisciplinaridade e o paradigma pós-disciplinar na saúde. Publicado na revista
Saude soc. vol.14 no.3 São Paulo Sept./Dec. 2005, fiquei curiosa sobre como poderemos utilizar, da melhor forma possível na docência, as informações contidas no artigo.
Transcrevo abaixo alguns trechos para que vocês possam emitir suas interpretações e opiniões.
Fará mais sentido assinalar o caráter instrumental da transdisciplinaridade como prática de transformação da "ciência normal" em ciência "revolucionária", para respeitar a terminologia kuhniana, na emergência de novos paradigmas no campo científico e de novas estratégias de ação no campo da prática social. Será que dessa maneira seremos obrigados a superar o paradigma das disciplinas? Isto implicará a emergência de uma ciência pós-disciplinar?
Transdisciplinaridade: de acordo com o esquema Jantsch-Vasconcelos-Bibeau, trata-se do efeito de uma integração das disciplinas de um campo particular sobre a base de uma axiomática geral compartilhada. Baseada em um sistema de vários níveis e com objetivos diversificados, sua coordenação é assegurada por referência a uma finalidade comum, com tendência à horizontalização das relações de poder.
Obrigada, Rosaly Lins

Roseane S. da Silva disse...

Professora ! Estou aguardando o envio dos textos para leitura e reflexões, conforme combinado.
Grata!!
Roseane

Edjaneide disse...

lendo o texto os novos sentidos da interdisciplinaridade, vemos que trabalhar em conjunto aproveitando as diversas profissiões não surgiu por acaso, surge como uma necessidade no período da segunda guerra e no pos-guerra, e foi evoluindo com o passar dos anos, e tb que o surgimento de novas tecnologias colabora com esse novo momento, com essa nova forma de pensar...

clariana falcao disse...

Colaborando com a fala de Edjaneide, acrescento ainda que o conceito de interdisciplinaridade apareceu sim no século XX, mas ele vem desde a pré-história, com a preocupação de integrar os saberes a fim de construir e tratar de assuntos científicos e técnicos para atender as necessidades humanas e a compreensão de fenômenos de aspectos sócio-históricos relevantes. A interdisciplinaridade se caracteriza pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa. É uma relação de reciprocidade, de mutualidade, que pressupõe uma atitude diferente a ser assumida diante do problema do conhecimento, ou seja, é uma substituição de uma concepção fragmentária para unitária do ser humano. Não se trata de postular uma nova síntese do saber, mas sim, de constatar um esforço por aproximar, comparar, relacionar e integrar os conhecimentos. A inter-relação e interação das disciplinas a fim de atingir um objetivo comum, são unificadas, onde os métodos e estruturas são ampliados e explorados com mais potencialidade.

clariana falcao disse...

A interdisciplinaridade na saúde, envolve o biológico e o social, o indivíduo e a comunidade, a política social e econômica, ou seja, a saúde e a doença envolvem condições e razões sócio-históricas e culturais dos indivíduos e grupos. É uma ligação direta e estratégica com o mundo vivido e suas inter-relações. A interdisciplinaridade permite uma ação conjunta para construção e reconstrução do saber, possibilitando mais desenvoltura de integração dos especialistas com capacidade de solucionar problemas considerados complexos. Entretanto, algumas das maiores dificuldades encontradas na área da educação pelos profissionais da saúde são: a rotina dos docentes, suas experiências anteriores e sua formação e a tendência à privatização. Isso afeta o princípio da responsabilidade social, bem como os conceitos de eqüidade, universalidade e a qualidade do atendimento à comunidade.

Carminha Raposo disse...

“O termo interdisciplinaridade se compõe de um prefixo – inter (reciprocidade, interação) - e de um sufixo – idade (dá qualidade ou modo de ser) que se justapõe ao substantivo disciplina (epistemé).” “O pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. O que é preciso para que a prática interdisciplinar ocorra, a resposta fica no âmbito da integração de equipe, uma boa relação professor - aluno, partir do discurso para a prática e ousar, como afirma Fazenda (1999, p. 86) “A premissa (...) é a do respeito ao modo de ser de cada um, ao caminho que cada um empreende em busca de sua autonomia.”, portanto cabe ao professor respeitar as diferenças de interpretações dos acadêmicos e com o fechamento de idéias apararem as arestas, dando-lhe uma feição única e contundente do que se esta discutindo em sala de aula. Há uma relação entre o professor e o aluno de alteridade – professor mais próximo do aluno em linguagem e afetividade, mas com rigor acadêmico – para o favorecimento do processo ensino - aprendizagem. Quanto ao processo de alteridade, afirmamos que se estamos ou queremos viver hoje na educação um momento de alteridade (com o construção/produção de conhecimento) é fundamental que o professor seja mestre, aquele que sabe aprender com os mais novos. Só teremos uma educação de qualidade quando esta estiver embasada no tripé, pesquisa - extensão e ensino, e através da interdisciplinaridade pode - se estabelecer um elo além da sala e dos espaços da faculdade, mas em uma educação que seja colaborativa. O pensar interdisciplinar tenta dialogar com as outras formas de conhecimento como uma atitude. E o que caracteriza a atitude interdisciplinar é a ousadia transformando a insegurança num exercício do pensar, num construir. O professor é um elemento de grande relevância neste processo de mudança é preciso que seja crítico - reflexivo e busque mudar os paradigmas educacionais, em busca de novos horizontes para viabilizar a formação de cidadãos conscientes e que sejam o rompimento do paradigma do qual Cury (2000, p.66) Kochhann, et.al. 2007.

maria de fatima nepomuceno disse...

segundo o texto de neide favarão a interdisciplinaridade representa a possibilidade de
promover a superação da dissociação das experiências escolares entre si, como
também delas com a realidade social. Ela emerge da compreensão de que o ensino
não é tão somente um problema pedagógico, mas um problema epistemológico.
Ferreira (2000) considera que, na educação, a parceria é aspecto
indispensável para que ocorra a interdisciplinaridade. Ainda, na opinião do
autor, a idéia de construção da aprendizagem e o gosto pela pesquisa são fatores
imprescindíveis.
Entretanto, é preciso esclarecer que a interdisciplinaridade não é uma
técnica didática, nem um método de investigação, também não pode ser vista
como elemento de redução a um denominador comum, mas como elemento
teórico-metodológico da diversidade e da criatividade.
A interdisciplinaridade corresponde a uma nova consciência da realidade,
a um novo modo de pensar, que resulta num ato de troca, de reciprocidade e
integração entre áreas diferentes de conhecimento, visando tanto à produção
de novos conhecimentos, como a resolução de problemas, de modo global e
abrangente.
Interdisciplinaridade é o processo de integração e engajamento de educadores, num trabalho
conjunto, de interação das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade, de modo
a superar a fragmentação do ensino, objetivando a formação integral dos alunos, a fim de que
exerçam a cidadania, mediante uma visão global de mundo e com capacidade para enfrentar
os problemas complexos, amplos e globais da realidade (LUCK, 2001)

maria de fatima nepomuceno disse...

a questão da interdisciplinaridade é muito ampla e a realizamos mesmo sem sabermos quando trocamos saberes e vivencias com nossos alunos. talvez precisamos mais de uma interação
maior entre os serviços e a academia no sentido da pesquisa em serviço pois dispomos de um vasto material. o que ocorre muitas vezes é servimos apenas de ponte nas pesquisas e nosso nome nem sequer é citado, talvez isso precise ser mudado começando por nós das USFs ......

outro ponto que gostaria de registrar é para a professora Tania;
eu li os artigos porem não os achei de leitura facil e aplicabilidade na nosaa pratica, principamente o de Otavio Velho, por isso pesquisei outros e fiz os comentarios ( desculpe a sinceridade ).

clariana falcao disse...

Concordo com a fala de Fátima sobre a leitura do texto proposto. Como o tema é bastante amplo, quem tiver outros artigos para enriquecer nosso debate, será bem vindo!

Rosaly Lins disse...

Vocabulário útil:
Multidisciplinaridade: conjunto de disciplinas que simultaneamente tratam de uma dada questão, problema ou assunto, sem que os profissionais implicados estabeleçam entre si efetivas relações no campo técnico ou científico. Ocorre a justaposição de disciplinas em um único nível, não há uma cooperação sistemática entre os diversos campos disciplinares
Pluridisciplinaridade: implica a justaposição de diferentes disciplinas científicas que, efetivamente desenvolveriam relações entre si. Seria portanto ainda um sistema de um só nível (como na multidisciplinaridade), porém os objetivos aqui são comuns, podendo existir algum grau de cooperação mútua entre as disciplinas.
Interdisciplinaridade auxiliar: interação de diferentes disciplinas científicas, sob a dominação de uma delas,que se impõe às outras enquanto campo integrador e coordenador. O sistema apresenta dois níveis, pode-se reconhecer a posição superior de uma disciplina em relação às outras.
Metadisciplinaridade: A interação e as inter-relações entre as disciplinas são asseguradas por uma metadisciplina que se situa num nível epistemológico superior. Esta não se impõe como coordenadora, mas sim como integradora do campo metadisciplinar, atuando como mediadora da comunicação entre as disciplinas do campo. Um exemplo geral: desde a emergência da ciência moderna, as matemáticas têm atuado como linguagem formalizada de comunicação científica empregada por diversas disciplinas .
Interdisciplinaridade: implica uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas cujas relações são definidas a partir de um nível hierárquico superior, ocupado por uma delas. Esta última, geralmente determinada por referência à sua proximidade da temática comum, atua não somente como integradora e mediadora da circulação dos discursos disciplinares mas principalmente como coordenadora do campo disciplinar
Transdisciplinaridade: trata-se do efeito de uma integração das disciplinas de um campo particular sobre a base de uma axiomática geral compartilhada. Baseada em um sistema de vários níveis e com objetivos diversificados, sua coordenação é assegurada por referência a uma finalidade comum, com tendência à horizontalização das relações de poder. Implica criação de um campo novo que idealmente desenvolverá uma autonomia teórica e metodológica perante as disciplinas que o compõem
Rosaly Lins

Caroline Coutinho disse...

Os Sete Saberes

Em 1999, a UNESCO solicitou ao filósofo Edgar Morin - nascido na França, em 1921 e um dos maiores expoentes da cultura francesa no século XX - a sistematização de um conjunto de reflexões que servissem como ponto de partida para se repensar a educação do século XXI.
Os sete saberes indispensáveis enunciados por Morin, trabalhado no texto sugerido são:
- as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão;
- os princípios do conhecimento pertinente;
- ensinar a condição humana;
- ensinar a identidade terrena;
- enfrentar as incertezas
- ensinar a compreensão;
- a ética do gênero humano,
Profa Hed - blog (re)encantar a educação!
Após ler o texto e a postagem do blog supracitado separei uma frase para comentar:
A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Conhecer o humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separa-lo dele.
Gostei muito da reflexão que pode ser feita em cima destes sete saberes. Muito pertinente. Mas, acho que o texto indicado, na minha opinião pessoal, relata de maneira prolixa um seminário realizado num curso semelhante ao nosso: adultos em nível de pós-graduação. A metodologia do seminário eu considero mais adequada para educação de crianças. Lamento que se gaste dinheiro e tempo numa ação como essa. Acho que a discussão sobre humanização, ética, integração, interdisciplinaridade na saúde em nível superior em nosso meio vem sendo feita,como no caso do seminário,de maneira a infantilizar, maternizar e deixar essas questões no mundo do imaginário, o que não é, necessariamente ruim mas que não funciona pra todos, não motiva, eu teria odiado este seminário. No final, o texto é meramente descritivo de uma atividade. Não há avaliação de resultado da metodologia no final,apenas a opinião de alguns participantes selecionados pelos autores. E aí, muitos perguntam: por que o SUS investe tanto em educação mas não há mudanças na prestação de serviços? A minha resposta é que estão gastando em atividades como esta: de alto custo ( tempo e dinheiro ) e com baixíssimo potencial de intervenção na realidade! Uma teoria na cabeça é boa mas fica melhor quando se transforma em palavras, habilidades, gestos e atitudes. Carol Coutinho.

Caroline Coutinho disse...

A ilusão, o contexto, o ser humano bio-psico-sócio-cultural-histórico, destino comum, incertezas, compreensão, antropoética citadas na descrição dos 7 saberes na educação têm todas muita relação com o caráter e personalidade dos envolvidos no processo educativo. Seguem algumas considerações de grandes pensadores relacionando educação, personalidade e ética. Segundo o autor Millot ( 1987 ), a expectativa freudiana em relação à educação era “saber o que se está fazendo quando se educa, já que não se faz o que se quer”. Talvez a expressão maior da ética moderna tenha sido o filósofo alemão Immannuel Kant (1724-1804).
A preocupação maior da ética de Kant era estabelecer a regra da conduta na substância racional do homem. Ele fez do conceito de dever ponto central da moralidade. Chamamos a ética centrada no dever de deontologia. O conhecimento do dever seria conseqüência da percepção, pelo homem, de que é um ser racional. É o reconhecimento da existência e outros homens (seres racionais) e a exigência de comportar-se diante deles a partir desse reconhecimento. O próprio Kant admitia que “a educação é o maior e mais árduo problema que pode ser proposto aos homens”.
Para Kant a educação pode ser entendida sob duas perspectivas fundamentais: física e prática,sendo a preocupação fundamental desta última a formação do caráter ou educação moral. Kant enfatiza: “Tornar-se melhor, educar-se e, se se é mau, produzir em si a moralidade: eis o dever do homem" e defende que a educação, deve ser pensada e estabelecida de um modo cosmopolita de tal forma que o homem seja: a) disciplinado; b) torne-se culto; c) torne-se prudente ou que adquira civilidade; e d) moralize-se. A interação da educação com a ética e o caráter é um grande desafio na área da saúde. Se não flui de modo adequado o maior prejudicado não é o professor nem o aluno e sim o paciente. O texto dos saberes me fez refletir e pesquisar sobre isso. Nada é de todo mal.

Caroline Coutinho disse...

Professora Tânia ou amigas(o)alguém tem algum diagrama ou desenho explicativo sobre os conceitos de trans, inter, multi, outras -disciplinaridades que pudesse me mostrar. Acho que facilitaria o meu aprendizado que é muito visual. Obrigada!

Ariane Brasileiro disse...

Em torno da obra GONZALEZ, Pablo Casanova, As novas ciências e as humanidades – academia à política

Editora Boitempo, São Paulo, 2006, pp. 335 e ss.



Na concepção do autor, o pensamento crítico deve recepcionar ou apropriar-se das tecnociências. Por outras palavras, no universo globalizado e do mundo da técnica, a interdisciplinaridade é um dos maiores desafios à reestruturação da cultura geral e da especialização. Não se duvida de que o referencial maior deve ser buscado na Revolução Científica. Esta acelerou, na perspectiva do autor, o processo de fragmentação do saber e da própria ciência como um todo. Disso resultou o excesso de partição. Novas disciplinas vão surgindo em todos os campos do conhecimento tornando impossível a compartimentalização do conhecimento em blocos distintos.

Na obra supracitada, a dialética ocupa uma posição de destaque na sociedade do presente e especialmente do futuro.

Embora a obra esteja centrada nos dois últimos séculos, tal não significa que a estrutura das ciências tenha sido erguida a partir dos últimos duzentos anos. Ao contrário, o edifício começou a ser erguido especialmente a partir da Idade Média, pelo aristotelismo e laicismo do Estado Moderno no plano da ciência em geral.

Em resumo, é possível extrair os seguintes entendimentos:

a) A especialização é uma realidade que não deve ser vista de forma isolada mais numa relação direta com o todo;

b) O crescimento da ciência constitui o resultado também da globalização em termos de concurso de uma multiplicidade de cientistas, sobretudo europeus e norte-americanos (esses últimos especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial).

c) As guerras têm concorrido – especialmente no setor da tecnologia, para aperfeiçoamento progressivo da ciência;

d) Outro aspecto relevante e não focado diretamente por Casanova foi a corrida espacial e os conhecimentos entrelaçados gerados nessa fase.

e) Igualmente, as famosas Conferências Macy, que se desenrolaram a partir de 1942, prolongando-se até 1953, e de que Bateson foi membro fundador. Conferências que tinham como título geral (com exceção de uma) Mecanismos de retroalimentação esistemas de causação circular em sistemas biológicos e sociais.

f) A revolução operada no campo da cibernética, designadamente na década de 70.

A partir desta década começamos a tomar contato especial com as ciências da computação, com as ciências cognitivas, com a biologia molecular, com a neuropsicologia e neuriolinguística, com o controle da inteligência, com a inteligência artificial, com a vida inteligente, com a realidade virtual, com a teoria em redes, com o genoma humano, com as biosferas espaciais, etc.

A guisa de conclusão, As novas ciências e as humanidades: da academia à política investiga as conseqüências das inovações da cibernética, da genética, sistemas auto-regulados, ciências da organização, caos determinista, fractais, entre outras descobertas, sobre a produção do conhecimento, a sociedade e o sistema político. O sociólogo Pablo González Casanova explora, numa nova perspectiva estas relações e com ousadia intelectual, em íntima correlação com a revolução científica e com os novos sistemas de dominação, de apropriação, de mediação e de repressão por parte das classes dominantes. Também estabelece uma dialética entre as novas tecnociências do conhecimento e da informação com o pensamento crítico e alternativo, assinalando as mudanças que daí advém.

A obra também não foge da complexidade dos problemas contemporâneos configurando um convite ou mesmo uma provocação ao pensamento-ação no sentido de apreensão de novas ciências e suas implicações mais íntimas com os sistemas de poder que hoje comprometem o desenvolvimento da humanidade e o próprio meio ambiente no planeta.

Sara Virna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sara Virna disse...

Oi Caroline, professora e demais colegas, não trago um diagrama mas acho interessante um artigo do professor Fernando Cardona de 2010 e posto aqui parte do artigo que fala das tres palavras muito bem . O tema è : Transdisciplinaridade, interdisciplinaridade e multidisciplinaridade .
" Multidisciplinaridade
A multidisciplinaridade é a visão menos compartilhada de todas as 3 visões. Para este, um elemento pode ser estudado por disciplinas diferentes ao mesmo tempo, contudo, não ocorrerá uma sobreposição dos seus saberes no estudo do elemento analisado. Segundo Almeida Filho (Almeida Filho, 1997) a idéia mais correta para esta visão seria a da justaposição das disciplinas cada uma cooperando dentro do seu saber para o estudo do elemento em questão. Nesta, cada professor cooperará com o estudo dentro da sua própria ótica; um estudo sob diversos ângulos, mas sem existir um rompimento entre as fronteiras das disciplinas.
Como um processo inicial rumo à tentativa de um pensamento horizontalizado entre as disciplinas, a multidisciplinaridade institui o inicio do fim da especialização do conteúdo. Para Morin (Morin, 2000) a grande dificuldade nesta linha de trabalho se encontra na difícil localização da "via de interarticulação" entre as diferentes ciências.É importante lembrar que cada uma delas possui uma linguagem própria e conceitos particulares que precisam ser traduzidos entre as linguagens.
Interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade, segundo Saviani (Saviani, 2003) é indispensável para a implantação de uma processo inteligente de construção do currículo de sala de aula – informal, realístico e integrado. Através da interdisciplinaridade o conhecimento passa de algo setorizado para um conhecimento integrado onde as disciplinas científicas interagem entre si.
Bochniak (Bochniak, 1992) afirma que a interdisciplinaridade é a forma correta de se superar a fragmentação do saber instituída no currículo formal. Através desta visão ocorrem interações recíprocas entre as disciplinas. Estas geram a troca de dados, resultados, informações e métodos.Esta perspectiva transcende a justaposição das disciplinas, é na verdade um "processo de co-participação, reciprocidade, mutualidade, diálogo que caracterizam não somente as disciplinas, mas todos os envolvidos no processo educativo"(idem).
Transdisciplinaridade
A transdisciplinaridade foi primeiramente proposta por Piaget em 1970 (PIAGET, 1970) há muitos anos, contudo, só recentemente é que esta proposta tem sido analisada e pontualmente estudada para implementação como processo de ensino/aprendizado.
Para a transdisciplinaridade as fronteiras das disciplinas são praticamente inexistentes. Há uma sobreposição tal que é impossível identificar onde um começa e onde ela termina.
"a transdisciplinaridade como uma forma de ser, saber e abordar, atravessando as fronteiras epistemológicas de cada ciência, praticando o diálogo dos saberes sem perder de vista a diversidade e a preservação da vida no planeta, construindo um texto contextualizado e personalizado de leitura de fenôminos". (Theofilo, 2000)
A importância deste novo método de analise das problemáticas sob a ótica da transdisciplinaridade pode ser constatada através da recomendação instituída pela UNESCO em sua conferência mundial para o ensino Superior (UNESCO, 1998).
Nicolescu (Nicolescu, 1996) formula a frase: "A transdisciplinaridade diz respeito ao que se encontra entre as disciplinas, através das disciplinas e para além de toda adisciplina". A esta ultima colocação entende-se "zona do espiritual e/ou sagrado". "

Sara Virna disse...

Concordo com os novos artigos trazidos pelas colegas neste modulo, pois vimos de maneiras distintas oque enriqueceu muito a nossa visão sobre a interdisciplinaridade nao so no campo da saude, assim como é notado em todas as postagem o entendimento sobre a inportancia do agir, pensar e tabalhar em interrelaçõa com os demais, quando há intercambio de informações elas se tornam mais ricas, mais fortes e melhor entendidas , sendo assim melhor trabalhadas, enriquecendo o nosso dia-a-dia e tornando o ensino melhor.

Gerciane Queiroga disse...

Carol, tenho um diagrama sobre transdisciplinaridade, mas está na USF. Te mandarei amanhã por e-mail, pois acho que não conseguirei postar aqui.
Encontrei umas definições com linguagem bem simples (Piaget) e com exemplos que facilitam bastante o entendimento entre as diferenças entre multi, inter e transdisciplinaridade (Nicolescu), que são as que necessitamos:

1. Disciplina — constitui um corpo específico de conhecimento ensinável, com seus próprios antecedentes de educação, treinamento, procedimentos, métodos e áreas de conteúdo.

2. Multidisciplinaridade — ocorre, segundo Piaget, quando “a solução de um problema torna necessário obter informação de duas ou mais ciências ou setores do conhecimento sem que as disciplinas envolvidas no processo sejam elas mesmas modificadas ou enriquecidas”.
“Estudo de um objeto de uma mesma e única disciplina por várias disciplinas ao mesmo tempo. Por exemplo, um quadro de Giotto pode ser estudado pela ótica da história da arte, em conjunto com a da física, da química, da história das religiões, da história da Europa e da geometria. Ou ainda, a filosofia marxista pode ser estudada pelas óticas conjugadas da filosofia, da física, da economia, da psicanálise ou da literatura. Com isso, o objeto sairá assim enriquecido pelo cruzamento de várias disciplinas. O conhecimento do objeto em sua própria disciplina é aprofundado por uma fecunda contribuição multidisciplinar. A pesquisa multidisciplinar traz um algo a mais à disciplina em questão (a história da arte ou a filosofia, em nossos exemplos), porém este “algo a mais” está a serviço apenas desta mesma disciplina. Em outras palavras, a abordagem multidisciplinar ultrapassa as disciplinas, mas sua finalidade continua inscrita na estrutura da pesquisa disciplinar. (Basarab Nicolescu)

Gerciane Queiroga disse...

Interdisciplinaridade — ainda segundo Piaget, o termo interdisciplinaridade deve ser reservado para designar “o nível em que a interação entre várias disciplinas ou setores heterogêneos de uma mesma ciência conduz a interações reais, a uma certa reciprocidade no intercâmbio levando a um enriquecimento mútuo”.
“Ela diz respeito à transferência de métodos de uma disciplina para outra. Podemos distinguir três graus de interdisciplinaridade:
a) um grau de aplicação. Por exemplo, os métodos da física nuclear transferidos para a medicina levam ao aparecimento de novos tratamentos para o câncer; b) um grau epistemológico. Por exemplo, a transferência de métodos da lógica formal para o campo do direito produz análises interessantes na epistemologia do direito; c) um grau de geração de novas disciplinas. Por exemplo, a transferência dos métodos da matemática para o campo da física gerou a física-matemática; Os da física de partículas para a astrofísica, a cosmologia quântica; os da matemática para os fenômenos meteorológicos ou para os da bolsa, a teoria do caos; os da informática para a arte, a arte informática. Como a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade ultrapassa as disciplinas, mas sua finalidade também permanece inscrita na pesquisa disciplinar”. (Basarab Nicolescu)

Gerciane Queiroga disse...

Transdisciplinaridade — continuando com Piaget, o conceito envolve “não só as interações ou reciprocidade entre projetos especializados de pesquisa, mas a colocação dessas relações dentro de um sistema total, sem quaisquer limites rígidos entre as disciplinas”.
“A transdisciplinaridade como o prefixo “trans” indica, diz respeito àquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de qualquer disciplina. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente para o qual um dos imperativos é a unidade do conhecimento”. (Basarab Nicolescu)
Piaget, há quase três décadas, considerou que a transdisciplinaridade ainda era um sonho. Seu sonho é hoje uma realidade.

ivaldocalado disse...

A respeito da interdisciplinaridade,transdisciplinaridade,multidisciplinaridade,sao formas passivas de integraçao e articulação de diversas disciplinas,tendo como objetivo principal,reunir a produção de conhecimentos em oposição ao conhecimento monodisciplinar.A interdisciplinaridade consiste de teorias metodologicas comuns as disciplinas que integra os resultados a procura de solução para os problemas atraves da articulação das disciplinas.A transdisciplinaridade é a busca do sentido de vida atraves da relação dos diversas saberes promovendo uma interação e a unidade do conhecimento, estabelecendo assim um novo jeito de ensinar e aprender.Multidisciplinaridade integração de varias areas do conhecimento,tendo como objetivo a resoluçao de problemas.

maria de fatima nepomuceno disse...

A REALIDADE ATUAL DAS PRÁTICAS DE SAÚDE E A QUESTÃO DA INTERDISCIPLINARIDADE À LUZ DA EPISTEMOLOGIA DE LUDWICK FLECK

A superespecialização, como tendência das práticas em saúde, tem permitido o aprofundamento do conhecimento específico das diversas áreas que integram o campo da saúde. Resultou, no entanto, em um efeito perverso, qual seja, a perda do entendimento da totalidade do homem pelo seu parcelamento e ênfase no seu funcionamento biológico; desconsiderando-o como determinante e determinado por relações afetivas, experiências de vida e integrante de uma totalidade social. O exercício da atenção à saúde, ao transferir-se para os hospitais, com intensa utilização de tecnologias especializadas, influenciaram decisivamente a prática dos profissionais de saúde.

No cotidiano do trabalho institucional, as diversas especialidades do conhecimento desenvolvem quase sempre um trabalho destituído de reflexão sobre o processo de trabalho que as especifica. Trabalham quase sempre sem planejamento, não têm uma prática de participação dos trabalhadores no pensar e organizar o trabalho, perdem a riqueza da percepção dos diversos grupos profissionais, não fazem a integração interdisciplinar necessária ao salto qualitativo e a reflexão sobre a globalidade do processo assistencial. Assim, a especialização do conhecimento, ao invés de possibilitar avanço, gera fragmentação e alienação.Positivamente, esta realidade tem produzido nas últimas décadas o resgate da discussão da interdiscipli-naridade como condição para a superação da prática fragmentada e seus efeitos sobre a atenção à saúde. Em oposição a uma condição já dada e assegurada, a interdisciplinaridade evolui no exercício da própria prática e necessita do desenvolvimento de um espírito crítico flexível, de uma visão mais global do processo saúde-doença, pulverizando a hegemonia de alguns saberes sobre outros. Desenvolver a interdisciplinaridade é, antes de tudo, aprender a conviver e aceitar as diferenças, percebendo na heterogeneidade de olhares a riqueza do objeto de estudo e da criação de estratégias frente às problematizações colocadas.

Na discussão acerca da interdisciplinaridade indica-se a existência de um intercâmbio por parte de uma ou mais disciplinas, não importando o modo como ocorre esta inter-relação. Tal intercâmbio ou interação ocorre desde a simples comunicação de idéias até a integração. A interdisciplinaridade sempre se mostrará como contraposição ao crescente processo de fragmentação do saber; enfim, contra o divórcio crescente entre a universidade com seus saberes compartimentalizados e a sociedade concreta.Um pensar interdisciplinar que permita ações transformadoras parece, indubitavelmente, ligado a questões da formação do profissional de saúde. Além do reconhecimento da realidade sóciocultural e institucional que permeia as relações humanas; das diferentes orientações e formações presentes no cotidiano do exercício e das relações de trabalho; do desenvolvimento da capacidade de identificar os pressupostos que "suavemente", orientam e determinam nossas práticas e discursos, como nos aponta Fleck, parecem necessárias algumas condições, a serem encaradas pelas diversas disciplinas, de forma a possibilitar um pensar crítico, ético e comprometido com o coletivo.
Achei estes comentarios neste texto muito interessante e enriquecedor para o nosso assunto atual :
a epistemologia de Ludwick Fleck: subsídios para a prática interdisciplinar em saúde

francijane disse...

Após lê o artigo de Otávio Velho tentei arremete-lo para a ralidade vivenciada por nós profissionais de saúde e em especial atenção primária que nos deparamos com problemas de naturezas diversas e soluções que não podem advir apenas de ações técnicas e isoladas, é nesse momento que devemos e necessitamos da atuação interdisciplinar seja de um só profissional utilizando meios diversos para resolver o problema seja de vários profissionais trabalhando em conjunto terem resultados em comum, porém percebemos que alguns de nós ainda não estamos totalmente preparados para realizar essa tarefa não aceitando ou as vezes concorrendo com o outro, uma vez que existe grande jogo de interesses e vaidades dentro de nosso cotidiano, penso que cada dia nos aproximamos um pouco mais da interdisciplinaridade não por vontade mas por necessidade posta pois os problemas de saúde hoje e sempre são multicausais necessitando de uma abordagem também assim o que nós já conseguimos o que não percebo ainda são esses múltiplos trabalharem coexistindo.

clariana falcao disse...

No campo do ensino em saúde, a falta de interdisciplinaridade; o distanciamento dos conteúdos curriculares em relação ao perfil de uma formação geral do medico e às necessidades de saúde da população; a desvalorização de abordagens no que se referem à ética, à humanização e ao cuidado; o deslocamento do aluno para a posição de sujeito que recebe passivamente a informação e a centralidade do processo pedagógico no professor como fonte única do saber; infelizmente são situações recorrentes e caracterizam-se como áreas de dificuldade para o ensino em saúde.
Feuerwerker (2004) afirma que a abordagem interdisciplinar e multiprofissional é essencial no cuidado em saúde. A abordagem interdisciplinar pressupõe interações e rupturas de fronteiras habitualmente presentes no ensino médico, mudanças de poder concentrado em disciplinas ou departamentos e a implantação de acordos coletivos em prol de um projeto pedagógico orientado pelas necessidades de saúde da comunidade e pelo processo de construção ativa do conhecimento do estudante.

clariana falcao disse...

A interdisciplinaridade pode nos permitir ousar, criar idéias e inspirar projetos curriculares inovadores que venham transformar o atual modelo disciplinar de formação médica; possibilitando a integração de conteúdos, a prática médica coletiva e a valorização da pesquisa.

Caroline Coutinho disse...

Sara e Gerciane, obrigada pelos textos e comentários. Melhorei o entendimento do assunto. Concordo com Sara e acho que a nossa discussão está muito rica pois tivemos até agora várias pesquisas em textos diferentes, opiniões diferentes voltadas para um mesmo objeto de estudo: multidisciplinaridade? Vamos progredir pra interdisciplinaridade?

Carminha Raposo disse...

(GOMES, et. al 2006) - O conhecimento aumenta os horizontes do aluno, e este aprendizado pode ser realizado de varias maneiras, através de leituras, equipamentos áudio visual, leitura, teatro e também na interação entre pessoas. Segundo Tardif, (2002, p.128) a pedagogia deve ter por meta incentivar a epistemologia e a ética tendo como base a visão do mundo que o homem tem e utilizar esta idéia para a construção do pensamento reflexivo, visão política e ele perceber a importância da cidadania para o próprio homem e a sociedade. A teoria e a metodologia psicodramáticas nos ensina que aprendizagem de ações pode se da através dos sentimentos externalizados nas relações interpessoais. O professor pode lançar mãos de conjuntos de processos que combinem “ensino da ciência aplicada com talentos artístico da reflexão mobilizando todo talento dramático, intuição e sensibilidade para que este aluno tome consciências necessidades socialmente existentes na sua formação. Segundo Silva, 2002 e Araújo, 2002 a prática reflexiva possibilita a integração de vários saberes, construindo conhecimento em articulação com o contexto sócio-político, econômico e cultural, resultando em uma intervenção na realidade deste homem e de suas experiências apartir de sua bagagem de valores, interesses sociais, afetos, conotações diferenciadas e cenários políticos. Leal (2004, p.2) afirma que o saber- fazer é sobre tudo saber ser um educador em todos os momentos da sua vida e em qualquer situação tendo como meta em sua vida formar alunos participantes capazes de serem autores da sua historia do seu destino. O ter e o fazer devem servir para ser mais e melhor, a fim de que o ensino aprendizagem contribua para a conscientização reflexivo - critica dos sujeitos históricos e se recriem as possibilidades de uma pedagogia humanizadora, “ numa perspectiva crítica e transformadora” (PIMENTA; ANASTASIOU, p.81, 2002), os sete saberes importantes para reflexão do educador do futuro: as cegueiras do conhecimento; o erro e a ilusão,os princípios do conhecimento pertinentes; ensinar a condição humana; ensinar a identidade terrena; enfrentar as incertezas, e ensinar a compreensão e a ética do gênero humano.

Karla Soares disse...

Lendo o texto OS NOVOS SENTIDOS DA INTERDISCIPLINARIDADE, de Otávio Velho, destaquei alguns trechos, dentre eles quando o autor cita Marilyn Strathern em artigo publicado em Social Anthropology, “Experimentos em interdisciplinaridade”. Coloca o autor que Strathern produz uma interessante etnografia sobre como organizações da ciência operam, articulando diversas comunidades, acadêmicas e não-acadêmicas, fazendo com que a noção de conhecimento incorpore a sua validação por uma opinião que não é mais apenas a dos pares. Ele então diz que acrescentaria que nesse processo a própria noção de conhecimento e o seu lugar de produção se alteram, com o registro feito por Strathern de que a troca de informações e sua expressividade parecem se tornar por vezes mais preeminentes que a produção de conhecimentos. Também chamou-me a atenção, quando é dito que Casanova deixa transparecer certa irritação diante da facilidade com que muitas vezes entre os cientistas salta-se do rigor científico à expressão de idéias superficiais e as divagações gerais, inconsequentes e crédulas. Dá como exemplo os próprios Maturana e Varela em livros posteriores, nos quais a lucidez científica original “termina em um desastre humanístico. Outro destaque é a opção de Casanova em assumir os ganhos do novo paradigma, mas registrando também a presença de limitações ao seu pleno desenvolvimento. Limitações que têm a ver com o paradoxo de, por um lado, poder se reconhecer e valorizar as diferenças mas por outro, ter de lidar com uma vontade de controle que tem permitido às forças dominantes uma capacidade de mudar os contextos a seu favor, garantindo-lhes uma sobrevida extraordinária. Ele então fecha o pensamento dizendo que pessoalmente, inclina-se pela opção que permita substituir binômios, como o de controle e diferença, pelo reconhecimento de outros mundos possíveis, implicando num aprender a aprender. Assim deixa de ser a validação do conhecimento, do domínio apenas dos pares, considerando outros atores do processo; a alteração da noção de conhecimento e o seu lugar de produção, ressaltando a troca de informações e sua expressividade tornando-se por vezes mais preeminentes que a produção de conhecimentos.
Pensando então no que tem acontecido ao desempenhar nossas funções na unidade de saúde, vivenciamos situações onde há o reconhecimento da importância de informações e saberes de diversos atores envolvidos nos casos clínicos de pessoas que estão sendo assistidas por uma equipe composta por profissionais de várias áreas. Vejo então na prática o aprender a prender, havendo o conhecimento dos casos, e, esses deixam de pertencer/ser do domínio apenas de pares, mas existindo um compartilhamento, ampliação do olhar sobre o indivíduo que está necessitando de assistência de saúde, necessidade de ser cuidado.

pereira disse...

Lendo os comentários de Caroline procurei fazer uma relação com o que vivemos durante nossa prática docente no PET e na Residência Multidisciplinar.Os sete saberes enunciados por Morin é uma ferramenta fundamental para tentarmos errar menos e acertar mais.
Tive uma experiência,recente,com o grupo da residência que fez um estudo de caso com uma família da área que trabalho,onde a miséria,a dinâmica familiar e os processos patológicos existentes foram trabalhados por uma equipe,pode-se dizer,interdisciplinar.Porém essa equipe levou cerca de 15 dias ,só estudando essa família e estabeleceram uma linha de trabalho,que deverá ser realizado.Não se trata de uma crítica e de não acreditar no processo,mas enquanto isso,nós ,os profissionais da equipe continuamos com nossas atividades,que não são poucas e que não podem parar.
Gostaria de saber se essa ansiedade também acontece com vocês?E se vocês acham que com a infra estrutura,nº de famílias e os problemas que temos conseguiremos trabalhar dessa forma?
Tatiana Pelinca

gioconda disse...

A interdisciplinaridade passou a ser exigência interna do trabalho em saúde. Porém, como observado por alguns autores que trabalharam o tema junto a equipes de saúde, ela continua tendo um conceito indefinido entre os trabalhadores. No cotidiano, a interdisciplinaridade está mais no plano do desejo e menos no campo da prática.precisamos trabalhar com os profissionais a importância da interdisciplinaridade como integração entre os profissionais e os saberes, com esse novo contexto de saúde, vem se observando a necessidade de criar novas estratégias em saúde, pois observa-se que quando se trabalha em equipe a assistência torna-se mais completa e o usuário passa a ser visto de forma holística. A interdisciplinalidade vem ganhando campo na saúde, pela sua importância.

Gerciane Queiroga disse...

Tati, entendo perfeitamente sua angustia em relação aos “estudos de caso” e “planos de intervenção” dos residentes, principalmente no seu caso, onde tem um residente de medicina entre eles. Muitas vezes me senti como se estivesse negligenciado “aquela família” em questão, mas hoje agradeço a oportunidade de ter uma equipe interdisciplinar, com vários olhares diferentes voltados para um único objetivo. Os residentes ainda estão aprendendo a construir uma equipe interdisciplinar. Pra eles isso também é novidade. As coisas se tornam mais fáceis, quando encontramos pessoas mais experientes, que já trabalham com esse formato há mais tempo. Lá na Unidade, temos um matriciamento quinzenal de saúde mental com o CAPS e NASF, onde estamos conseguindo resolver algumas demandas antigas e complicadas. Já conseguimos até um interprete para uma consulta com a psiquiatra do CAPS para um usuário surdo-mudo com transtorno e hj ele voltou a tomar suas medicações, está compensado e sua mãe muito agradecida. Com o tempo nós vamos nos acostumando com as novas ferramentas que temos e passar essa experiência para nossos alunos.

Sara Virna disse...

Em concordância com as postagens e o texto de Otávio Velho. A importância de a atenção básica coexistir com interdisciplinaridade.Agir em conjunto é muito diferente do agir sozinho em todos os campos de estudo e trabalho. Para alcançarmos determinados objetivos, quando nos dirigimos a outros grupos, trocamos experiências,e experimentando, tudo se torna mais fácil. Infelizmente, em todo grupo, há aqueles que não são abertos a novas idéias, aqueles que não gostam de compartilhar "seus conhecimentos" e ainda aqueles que não tem coragem de pedir ajuda, orientação em caso de dúvidas. A interdisciplinaridade seria a forma ideal para que cada grupo trabalhasse em torno de um mesmo objetivo, com a certeza de que agindo assim o sucesso se´r alcançado.

pereira disse...

Gerciane,agradeço pela força,e fico feliz em saber que esse sentimento de impotência passa por outras pessoas,principalmente por vc que é considerada pela sua competência e compromisso.Espero ver as mudanças na assistência e seus resultados o mais breve.
Tatiana Pelinca.

ivaldocalado disse...

Em relação aos saberes docentes e o fazer padagogico,é interessante como nos observamos a multiplicidade de metodos que são utilixzados quando o objetivo é o ensino-aprendizagem.reconhemos que existe uma alta complexidade na obtençao da educação ,principalmente quando deveremos reforçãr a interdisciplinaridade dos conteudos das materias.Existem milhoes de metodos no processo de ensino aprendizagem,sempre buscando a integração eo dinamismo da metodologia para que a nossa pratica pedagogica atinja os nossos objetivos.O saber fazer do professor tem que despertar o interesse a dedicação as duvidas e o aprofundamento dos conhecimentos por parte dos alunos.A sua participação tem que ser mais abrangente no que diz respeito ao seu ensino.A sua pratica reflexiva deve ser bem profunda,tem que se descrever um caminho com varios aspectos de multidisciplinares.Este caminho tem que ser trilhado sempre procurando se utilizar os diversos saberes do fazer pedagogico.O professor deve abrir-se a novas praticas pedagogicas que possibilitem um alto grau de troca de conhecimentos e de interdisciplinaridade.

ivaldocalado disse...

Em relação ao artigo, novos sentidos da interdisciplinaridade,observamos que a interdisciplinaridade tem origens bastante remotas,desde meados do seculo XX,aparecendo sob a forma de um novo paradigma cientifico que futuramente seria um consenso de um novo tempo.Varios exemplos são descritos no texto,foi a cibernetica por exemplo que provocou o aparecimento de novas ciencias tecnologicas que se entrelaçavam atraves de especializaçoes interdisciplinares.,exemplo tipicos dos nossos dias ,ciencia da computação,ciencias cognitivas etc...,tratando-se pois de um processos interdisciplinar de ciencias sociais/ciencias tecnologicas/ciencias da saude.A postura disciplinar classica não esta ultrapassada,mais ela deve no entanto conviver com os diferentes paradigmas,principalmente da interdisciplinaridade.Sempre raciocinando que estes paradigmas devem ter uma adesão com um espirito critico,maleavel,que poderão culminar com uma situação de combinação entre estas duas situaçoes

ivaldocalado disse...

A Multidisciplinaridade,é estabelecida por um conjunto de disciplinas sem ter relaçoes importantes entre si e que tem um objetivo de compor uma estrutura unica,dai o exemplo da MULTIDISCIPLINARIDADE,utilizada na composição dos curriculos escolares.A interdisciplinaridade estabelece relaçoes para nao ultrapassar limites estabelecidos das das disciplinas;A transdisciplinaridade tem objetivos mais amplos,estabelecendo um nivel de atuação bem mais alem das disciplinas simplesmente.

ivaldocalado disse...

Em relação a Integralidade,termo utilizado para orientar a formação do SUS,desde a constituição de 1988,que procura estabelecer as diretrizes do SUS,dando um rumo e direção aquele sistema,e tambem estabelecendo uma bandeira de luta do SUS,procurando integralizar ou melhor fornecer um atendimento integral a saude(Prevenção e assistencial.)Na realidade a integralização constroi uma politica do sistema de saude e coloca a pratica da saude propriamente dita.
A integralização e fundamental para cuidar oestas possibilidades no mundo da gestão do eixo hospitalar e tambem por que nao dizer da integralidade clinica da MEDICINA

maria de fatima nepomuceno disse...

COLEGAS de trabalho do PSF ; acho que nós que já estamos na estrada há muitos anos, percebemos que se olharmos para trás veremos que evoluimos muito, principalmente quando pensamos em interdisciplinaridade. no inicio do programa sequer pensaríamos em trocar saberes e experiencias com outras profissões da area da saude a fim de resolvermos questões das nossas familias. Hoje podemos dizer que praticamos a interdisciplinaridade com resolução dos nossos casos sem precisar recorrer a rede dos distritos, que alem de sobrecarregada, não nos dá o suporte necessario que precisamos. Logico que nem tudo são flores pois existem equipes do NASF que não são comprometidas, porem isso ocorre com todo profissional e é inerente apenas ao nosso caso. precisamos cobrar tambem dos gestores uma rede de apoio funcionante em materia de contra referencia para só assim praticarmos uma verdadeira interdisciplinaridade ou melhor transdisciplinaridade sem começo, meio ou fim.

Carminha Raposo disse...

Durante o século XIX a sociedade adotou como modelo de organização o trabalho industrial, no qual cada indivíduo restringia-se a um objeto de ação parcial, fato que repercutiu em todos os setores da sociedade, incluindo as práticas de saúde. No ensino em todas as instâncias os currículos seguiram este tipo de educação na graduação em saúde não podia ser diferente, e foram embasados em racionalidade, fragmentada e compartimentada onde o individuo é recortado por meio da óptica biocêntrica. Neste caso a abordagem técnico cientifica é estimulada priorizando –se o modelo hospitalocêntrico, estimula se a formação ultra –especializada, a atenção individual e a ação cirúrgica e medicamentosa. Incentivando se a idéia da culpabilização do individuo onde se ele esta doente é por culpa dele. Destacamos que no Brasil, os movimentos de críticas e alternativas à racionalidade moderna culminaram, na década de 1990, no ensino e na criação de novas diretrizes curriculares, as quais propõem a formação de profissionais flexíveis com conhecimentos mais abrangentes e interdisciplinares e um sistema de saúde e currículos calcados na multiprofissionalidade, embasados nas necessidades e demandas sociais. No Brasil, essas reformas aconteceram, inicialmente, nos departamentos de Medicina Preventiva e congêneres e antecederam o Movimento Sanitário, responsável pela institucionalização do Sistema Único de Saúde (SUS). A medicina integral que visa a formação humanística do profissional de saúde começou a ter visão do processo de adoecimento do individuo como resultado de uma interação de fatores biológicos econômicos, sociais e culturais. A interdisciplinaridade é ao mesmo tempo uma questão de saber e poder, que implica uma consciência dos limites e das potencialidades de cada campo de saber para que possa haver uma abertura em direção de um fazer coletivo. Num processo de crítica à medicalização da sociedade e aos limites do saber médico e à sua racionalidade, transitando ora na tentativa de subordinação a uma racionalidade sanitária, ora na defesa do reconhecimento e incorporação de racionalidades médicas alternativas, supostamente mais próximas da integralidade, o Movimento Sanitário busca ampliar o campo de atuação em saúde.

Karla Soares disse...

Os saberes e o fazer pedagógico: uma
Integração entre teoria e prática
(GOMES, A. M. A. et al. Educar, Curitiba, n. 28, p. 231-246, 2006. Editora UFPR 235) Ressaltarei a seguir alguns pontos trazidos pelo texto,que se propunha a levantar questionamento sobre a importância do desenvolvimento
dos saberes da docência e da necessidade do professor abrir- se
a novas estratégias que possibilitem a troca de conhecimentos e a
interdisciplinaridade, como virtude que escuta a verdade do outro e se abre
para novas idéias. São citados os sete saberes de Edgar Morin pela integração de reflexão-ação, interação entre facilitador-aluno, aluno-aluno, sentimentos,
percepções e conhecimento dos pressupostos do autor na prática pedagógica: 1)Cegueiras do conhecimento – o erro e a ilusão – reflexão e percepção; 2) Princípios do conhecimento pertinente – construção e (des)construção. Há necessidade de informações e dados contextualizados para que adquiram sentidos (MORIN, 2003,p. 65). Fazenda (1998) destaca a importância do agir e do fazer fundados numa perspectiva de totalidade. 3)Ensinar a condição humana. Para Morin (2003),a condição humana como unidade complexa deveria ser o objeto essencial de todo o ensino, “nós somos unidade e complexidade na diversidade, nós somos o ser humano”. 4)Ensinar a identidade terrena – com a vida nas mãos todos os seres humanos partilham um destino comum (MORIN, 2003, p. 16). 5)Enfrentar as incertezas – O futuro permanece aberto e imprevisível. (MORIN, 2003, p.79). É papel fundamental da educação, nesta óptica, preparar as mentes para o inesperado e seu enfrentamento. Tardif (2002), referindo-se a esse aspecto na prática pedagógica, assinala que, os professores precisam tomar decisões e desenvolver estratégias de ação em plena atividade, sem se apoiar num “saber-fazer” técnico-científico que lhes permita controlar a situação com toda a certeza. 6)Ensinar a compreensão – Compreender inclui um processo de empatia, de identificação e de projeção,(MORIN, 2003, p. 95). Destaca a dimensão afetiva da atitude de compreender e o seu caráter de apreender em conjunto, inclusive a incompreensão.7)A ética do gênero humano – integração. Assim, tem-se: O professor devendo combinar o ensino da ciência com a reflexão e ação. A função do professor de instigar a problematização e a discordância aos procedimentos de pensamento crítico e crescimento. Silva, 2002 e Araújo, 2002 destacam a possibilidade da inter-relação dos diferentes saberes, produzindo conhecimentos em articulação com o contexto sócio-político, econômico e cultural. Leal (2004, p. 2) considera que o saber-fazer é sobretudo saber SER um educador, assumindo o compromisso de formar alunos para serem sujeitos, participantes e autores da história. Outra reflexão importante é a do ter com o ser. O ter conhecimento como meio e instrumento para ser mais, aperfeiçoar e realizar o ser professor e aluno num processo de troca e interação de seus sentidos e significados em dado contexto histórico. O ter e o fazer devem servir para SER mais e melhor, com o ensino-aprendizagem contribuindo para a conscientização reflexivo-crítica dos sujeitos históricos e recriando as possibilidades de uma pedagogia humanizadora, “numa perspectiva crítica e transformadora”(PIMENTA; ANASTASIOU, p. 81, 2002).

Caroline Coutinho disse...

Em relação ao texto de Otávio Velho, Os novos sentidos da Interdisciplinaridade, confesso que tive muita dificuldade para entender. Há muitas citações de pessoas que não conhecia. Dentre elas ressalto a fala de Strathern de que a troca de informações e sua expressividade parecem se tornar por vezes mais preeminentes que a produção de conhecimentos.

Caroline Coutinho disse...

Professora Tânia, no exercício enviado a Sra. sugeriu que deixaria capítulos de um livro para lermos em grupos e prepararmos 5 slides para a aula presencial, porém, entrei em contato com a secretária do curso,Thayane, e a mesma informou que não está com o texto. O que faço? Desde já, obrigada!

clariana falcao disse...

O egresso dos cursos da área da saúde permitiu o desenvolvimento de uma análise crítica, da capacidade de criar soluções novas e de fazer transposições e adaptações de conceitos adquiridos à novos campos do saber e a situações cotidianas inéditas que se apresentam, além de desenvolver relacionamentos cooperativos, necessitando do domínio da informática e de formação técnica, artística e humanística a fim de aprimorar a qualidade de vida do ser humano, bem como de suas relações, entre si e com o meio ambiente. Isso requer uma equipe de profissionais, ou seja, um atendimento multidisciplinar, integrado e articulado, para que se contextualize e reverta em solução às demandas apresentadas pelo paciente em sua integralidade. Não podemos continuar nos aprofundando no conhecimento de partes, especialidades, pois nossa natureza é holística e necessita de integração multidisciplinar em seu tratamento. Mesmo com tantos esforços, estamos apenas começando uma longa caminhada, que deve ser pavimentada pelas reformas curriculares e mudanças de postura perante a vida que se nos apresenta diferente a cada dia.

Carminha Raposo disse...

Segundo o pensamento de Machado e outros autores (2007) a integralidade é um conceito que permite uma identificação dos sujeitos como totalidades, ainda que não sejam alcançáveis em sua plenitude, considerando todas as dimensões possíveis que se pode intervir, pelo acesso permitido por eles próprios. O atendimento integral extrapola a estrutura organizacional hierarquizada e regionalizada da assistência de saúde, se prolonga pela qualidade real da atenção individual e coletiva assegurada aos usuários do sistema de saúde, requisita o compromisso com o contínuo aprendizado e com a prática multiprofissional. Entendemos a integralidade no cuidado de pessoas, grupos e coletividade percebendo o usuário como sujeito histórico, social e político, articulado ao seu contexto familiar, ao meio ambiente e à sociedade na qual se insere. Neste cenário se evidencia a importância de articular as ações de educação em saúde como elemento produtor de um saber coletivo que traduz no indivíduo sua autonomia e emancipação para o cuidar de si, da família e do seu entorno. O futuro docente e discente precisa não apenas reconhecer este sistema educacional nos seus vários aspectos - sociais, políticos, culturais, econômicos – como reconhecer-se enquanto parte dele e, portanto, produtor da sua história. Ou seja, co-responsável tanto pela permanência como pelas mudanças desejáveis. metodologia interdisciplinar, reconhecendo a compartimentalização das disciplinas presente nas universidades, promete privilegiar a busca de interconexões disciplinares, possibilitando um conhecimento contextualizado e favorecendo a compreensão e resolução de problemas reais na sua complexidade e contexto social concreto (Pierson, Freitas & Villani, 1999). De outro lado a negociação entre os diferentes saberes disciplinares para a construção coletiva de conhecimentos sobre a realidade, permite desenvolver competências, como perceber diferenças e singularidades, vislumbrar complementaridades, e experimentar satisfações, como iniciar uma aventura ou elaborar o impensado, que podem se tornar referência motivadora para a futura vida docente (PIERSON et.al. 2008).

Sara Virna disse...

Cuidado e Integralidade: por uma genealogia de saberes e Práticas no Cotidiano ( Segundo capítulo do livro)
O artigo de Roseni e Francini trás, através dos tempos, vários entendimentos sobre o cuidado, sempre entendendo que, com integralidade é que ele existe.
“... ação integral, que tem significados e sentidos voltados para a compreensão de saúde como direito de ser”.
“ação integral como efeitos e repercussões de interações positivas entre usuários, profissionais e instituições”
Trás a palavra integralidade entendida como prática social que implica reconhecimento de diferentes visões do mundo.
Lembra que integralidade no cotidiano é visto no SUS como uma maneira de melhoria na qualidade do atendimento, e, em conseqüência, na qualidade de vida da população.
Mostra isso através do estudo de três municípios que possuem práticas integrativas do cuidado – Cantagalo – Resende – Juiz de Fora. Sendo estas, três cidades que possuem melhoras significativas na saúde e educação, melhorando os índices de alfabetização e mortalidade infantil, assim como economia e mortalidade hospitalar, com estas práticas.
A primeira coloca em cada USF profissionais de especialidades diferentes, que servem de referencia e contra referencia entre as unidades, que têm um sistema de encaminhamento interno das demandas. Além de possuir práticas integrativas no cuidado como festas, bailes e passeios.
A segunda oferecia uma pratica de ioga, um serviço rural de intercâmbio para estudantes universitários e serviço de acupuntura.
A terceira o serviço de homeopatia era oferecido a toda a população que possuía uma equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros, assistente social, auxiliares de enfermagem e funcionários para a farmácia. O fluxo de atendimento era de toda a equipe e centrada no paciente (cliente) e não no médico.

Sara, Francijane e Edjaneide

Rosaly Lins disse...

olá pessoal,
Gostei das colocações feitas por Caroline em 13 de agosto.
È comum verificarmos "formulas prontas" para solução do ensino aprendizagem. A exemplo do texto apresentado, é comum o autor/responsável querer que uma única formu de comportamento/método/projeto sirva para tudo.
Tem que haver o cuidado de pensar em planejamento. Fazer o que?, para quem? quando? onde ? com que? por quanto tempo? quais os recursos?
Ou seja não existe fórmulas mágicas. É essencial que as variáveis sejam estudadas e controladas. È preciso evitar viéis, avaliar, replanejar.
Se não houver um estudo adequado, um planejamento específico, haverá apenas gasto de dinheiro e um falso faz de conta que se está trabalhando, dando soluções. Não há formulas mágicas!

Rosaly

Rosaly

Rosaly Lins disse...

O conhecimento sobre determinada matéria pode ser realizado mediante leitura de textos, visualização de vídeos,pesquisas,estudo individual,debates, grupos de trabalho, seminários e praticas. A partir do conhecimento destas informações será possível identificar pela avaliação própria ou coletiva, como se elabora o objeto do conhecimento. O professor tem a importante missão de escolher estratégias com varias e expressivas praticas que vão sugerir ao aluno, o objetivo de ultrapassar os dados e desenvolver o objeto do conhecimento.
Com esta atitude o professor estará realizando uma pratica pedagógica dinâmica, própria, que permitira o exercício do pensamento reflexivo O professor deve fornecer meios para facilitar ao aluno uma visão política de cidadania e que seja capaz de integrar a arte, a cultura, os valores e a interação, desta feita poderá ocorrer a recuperação da autonomia dos sujeitos e de sua ocupação no mundo de forma significativa.
Este foi o entendimento que tivemos após a leitura do texto: Os saberes e o fazer pedagógico: uma integração entre teoria e pratica.
A leitura de outros textos sobre educação/aprendizagem defendem esta mesma tese, o autor Paulo Freire e muito enfático sobre a autonomia que se deve atingir juntamente com o aprender.
Acreditamos que este assunto merece uma reflexão de todos nos. Indagamos aos professores e aos demais alunos do curso de docência no ensino superior em saúde o porque de não ocorrer na pratica o que se defende tanto na teoria ? Será que cada um poderia achar um motivo para ainda não ter havido uma transformação na pratica do ensino/aprendizagem ,apesar de constatarmos na literatura tantos educadores/ pesquisadores que defendam este processo ?
Rosaly

Carminha Raposo disse...

Cuidado IV – Cuidado – as Fronteiras da Integralidade – Ricardo Burg Ceccim
Equipe de saúde: a perspectiva entre - disciplinar na produção dos atos terapêuticos.
área de saúde é grande e composta por profissionais que se dividem se em práticas de assistência e por outros que praticam a promoção da saúde esses profissionais se integram e se dirigem na assistência a coletividade humana. No entanto todo processo educacional deve ser capaz de fazer com que o profissional desenvolva o sentimento de equipe e que trabalhe com o sentido da saúde amplo ultrapassando as barreiras do físico e do mental, vendo o homem holisticamente. Se desloque do eixo recortado reduzido- corporativo-centrado, para o eixo – plural complexo – centrado e usuário. No entanto a lei do exercício profissional o currículo de habilitação técnica o mercado de trabalho e o corte disciplinar é visto de maneira compartimentada e parcialista. E a partir, principalmente, do exercício profissional, mais que das políticas do trabalho, que domínios conceituais e práticos investem rivalidades disciplinares corporativistas. Há um grandes esforços para se mudar a formação profissional, que enfoque a afirmação da vida de modo intrínseco aos atos de saúde, a necessidade de trabalho em equipe multiprofissional mas também sobre uma prática mestiça, ultrapassando o limite disciplinar das profissões e de se expor à alteridade.
Independente da habilitação técnica profissional como resultado de um curso de graduação, todo profissional exerce práticas terapêuticas, busca a terapia das circunstâncias que geram a necessidade de uso das suas ações profissionais e dos serviços de saúde. O que define um profissional de saúde é sua condição de assistir, sua habilitação técnica para a clinica, sua profissionalização para o ato terapêutico, sua dedicação ao cuidar. Há uma linha de tensão entre os profissionais quando prestam assistência ao paciente linha de interseção onde cada profissional se acha dono da verdade. Nesse lugar - meio encontra-se aquele que aprende que entra em alteridade, que se depara com as fragilidades de cada referencia profissional/disciplinar para dar resposta aos problemas concretos. Neste momento a terapia singular se faz necessária e á singular experiência de vida que se põe em cena.
A competência institucional não depende apenas do conhecimento cientifico das profissões, mas também dos conhecimentos aproximativos. Neste caso, depende da coragem das práticas criativas e inventivas, capazes de se deparar com o espaço da perda de domínio e das referências fortemente instituídas para normalizar com sensibilidade pela prestação de curas, cuidados e escutas.
Segundo Capazolo (2003 p. 71), Ferla (2002, p.345) e Merhy(2002, p.133) em síntese eles dizem que faz se necessário construir novas formas de relação com o usuário, com os demais profissionais e com o trabalho e que é preciso desterritorializar essa clinica, tornando a nômade, “nao mais ancorada na racionalidade cognitivo-instrumental própria da medicina a cientifica, mas em compromisso político com a afirmação da vida”.
A equipe multiprofissional, como território de exposição, não requer a supressão da pluralidade, requer não opor-se, mas um expor-se. Contato com a alteridade, sensibilidade e desenvolvimento de conhecimentos aproximativos e intuitivos atuais são o mote para a estética multiprofissional. A equipe multiprofissional requer o entrelaçamento da autopoiese e da heterogênese mútua. Movendo argumentos de responsabilidade e integralidade da atenção, em lugar de rotinas normativas e parcelização técnico burocrático do trabalho propõem á entre disciplina, zona fronteira e de intercessões das práticas disciplinares, umas e outras, diferenciando-se cada uma de forma viva.

Tânia L Falcao disse...

Olá, gente: estarei enviando uns artigos para incrementar o grupo, via email. Saudades Tânia

Rosaly Lins disse...

Cara Profª Tãnia,
Será que você poderia fazer comentários sobre nossa postagens?
As vezes questionamos se nossas interpretações não poderiam ser vistas de formas diferentes por outros.
Talvez seria enriquecedor praticar a pluridisciplinaridade ou seria mais adequada a prática da interdisciplinaridade ?

Grata, Rosaly